Mais um sorriso, Este tem que valer por dois, Em vez do grito que não dei

sexta-feira, dezembro 22, 2006

É hoje

Pela paz, tem que ser...

Bertrand Russell (1872-1970)


"One of the symptoms of an approaching nervous breakdown is the belief that one's work is terribly important."

"Not to be absolutely certain is, I think, one of the essential things in rationality."

"A sense of duty is useful in work, but offensive in personal relations. People wish to be liked, not be endured with patient resignation."

"The time you enjoy wasting is not wasted time."

"The people who are regarded as moral luminaries are those who forego ordinary pleasures themselves and find compensation in interfering with the pleasures of others."

"The good life, as I conceive it, is a happy life. I do not mean that if you are good you will be happy - I mean that if you are happy you will be good."

"Man is a credulous animal, and must believe something; in the absence of good grounds for belief, he will be satisfied with bad ones."

"We have, in fact, two kinds of morality side by side: one which we preach but do not practice, and another which we practice but seldom preach."

"The fact that an opinion has been widely held is no evidence whatever that it is not utterly absurd; indeed in view of the silliness of the majority of mankind, a widespread belief is more likely to be foolish than sensible."

"Do not fear to be eccentric in opinion, for every opinion now accepted was once eccentric."

Mais? aqui.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Pedidos ao Pai Natal

Mudar a legislação

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Dúvidas e certezas

Às vezes custa-me a aceitar que tudo na vida seja aleatório o que, de acordo com as minhas convicções, é o que me parece mais certo. Outras vezes penso exactamente o contrário, se já me aconteceu isto não me vai acontecer aquilo, o que também não faz sentido (nem se verifica). Afinal em que é que ficamos? Vale tudo?

Acho que sim. O que fazemos (para o bem ou para o mal), o que nos fazem (idem), ou o que ainda vamos fazer, não entra num esquema tipo "contabilidade organizada" de débitos e créditos a nosso (des)favor.

E eu que até sou um gajo com a balança minimamente equilibrada...

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Pensamento positivo

terça-feira, dezembro 05, 2006

Vou tomar um destes e já volto...

Trapézio com rede

Apetece-me falar para dentro. Dizer-me que as coisas podiam ir melhor. Queixar-me. Perguntar-me se as coisas têm que ser mesmo assim, sempre difíceis. Criticar-me pelo que sou e, sobretudo, pelo que devia ser. Lamentar-me pelo que os outros me fizeram, ou pior, pelo que não quiseram ou não puderam fazer. Às vezes falta-me um rumo, uma estrela. E aí apareces sempre tu. O meu lado bom está todo em ti.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Ao menos este diz o que pensa...

... e admitamos que é preciso coragem!

“Os homossexuais vivem menos tempo e são mais propensos à pedofilia”

“Promover a utilização do preservativo é de uma enorme irresponsabilidade”

“As aulas de educação sexual vão perverter os alunos, uma vez que qualquer relação sexual que não seja dirigida à procriação é uma perversão”

“Disse que em virtude do que está no Código de Direito Canónico estou impedido de dar a sagrada comunhão a quem não respeite os Mandamentos, a quem promove a morte de seres humanos inocentes” (negando-se a dar a comunhão a quem utilizasse métodos contraceptivos)

“é sempre mais grave matar um ser humano que abusar dele.”
(comparando o aborto à pedofilia)

“O perigo de vida da mãe não justifica o aborto provocado, isto é, voluntário e directo, pois isso seria fazer o mal (matar alguém - um inocente) para que daí resultasse um bem (salvar outrem) o que não é de todo admissível”

“Negar que alguns abortos não o são e chamar-lhes "actos médicos" (por ex. no caso dos anencéfalos ou dos "fetos inviáveis") é falso e é arrogar-se o direito de arrebatar a categoria de humano a quem mais carece de que ela lhe seja reconhecida”

“O aborto é um homicídio particularmente perverso e abominável”

“É urgente baixar a idade do casamento”

Padre Nuno Serras Pereira

quinta-feira, novembro 30, 2006

Notas soltas

O fanatismo é para a superstição o que o delírio é para a febre, o que é a raiva para a cólera. Aquele que tem êxtases, visões, que considera os sonhos como realidades e as imaginações como profecias é um entusiasta; aquele que alimenta a sua loucura com a morte é um fanático. (...)
O mais detestável exemplo de fanatismo é aquele dos burgueses de Paris que correram a assassinar, degolar, atirar pelas janelas, despedaçar, na noite de São Bartolomeu, os seus concidadãos que não iam à missa.

Voltaire, in 'Dicionário Filosófico'

A religião baseia-se principalmente e antes de tudo, no medo. É, em parte, o terror do desconhecido e, em parte, como já o disse, o desejo de sentir que se tem uma espécie de irmão mais velho que se porá do nosso lado em todas as nossas dificuldades e disputas. O medo é a base de toda essa questão: o medo do mistério, o medo da derrota, o medo da morte. O medo é a fonte da crueldade e, por conseguinte, não é de estranhar que a crueldade e a religião tenham andado de mãos dadas. O medo é a base dessas duas coisas.

Bertrand Russell, in Porque não sou Cristão

Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear. (...)
Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.

Alexandre O'Neill, in 'Uma Coisa em Forma de Assim'

Sim

Sim.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Publicidade enganosa

Perguntas cem respostas

Porque será que conseguimos sempre ver com tanta lucidez os defeitos dos outros?
Porque será que nos achamos sempre pessoas boas e honestas?
Porque será que qualquer bardamerdas se sente um rei só por mandar em meia dúzia de desgraçados?

terça-feira, novembro 28, 2006

Saber Esperar

Quem sabe esperar o bem que deseja não toma a decisão de se desesperar se ele não chega; aquele que, pelo contrário, deseja uma coisa com grande impaciência, põe nisso demasiado de si mesmo para que o sucesso seja recompensa suficiente.

Jean de La Bruyére, in 'Os Caracteres'

Às vezes custa...

Optimizar, em Vez de Ser Optimista

Ser optimista é bom, mas tem os seus perigos. O optimista pode não perceber bem os problemas dos outros, pode não dar o verdadeiro valor ao mal. Outra coisa é ter a capacidade de optimizar. Optimizar é tirar o melhor partido possível de tudo o que acontece, mesmo de uma catástrofe. Perante ela, quem sabe optimizar põe-se numa atitude positiva, anima os outros e reage bem. Mais vale optimizar que ser optimista.

(Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'

Para a maior (e melhor) optimizadora que eu conheço...

terça-feira, novembro 21, 2006

Juntos pela Boa Vida

A associação de caridade Juntos pela Vida apresenta no seu site aquilo a que chama "Soluções Concretas pela Vida" as quais consistem num conjunto de movimentos teóricamente "pela vida" que "apoiam mulheres" que de outra forma iriam abortar.

Todos os movimentos e associações ali apresentadas surgiram após o referendo de 1998. Interessante. Será que estes senhores agora tão preocupados com a vida alheia precisaram de um referendo contra o qual se bateram para começarem a mexer-se?

Porque será que continuam a achar que não se deve fazer novo referendo? Já chega de caridade para com os pobrezinhos?

Se calhar estão com medo de um referendo à pobreza e exclusão social. Aí, viam-se obrigados a criar associações com nomes como "Ajuda de Bolso", "S.O.S. Vida – Apoio ao Pobrezinho" ou "Campanha de Oração pela Boa Vida" o que, convenhamos, seria mais desagradável e dispendioso.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Nem mais...

Estou Cansado

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
Álvaro de Campos

Bom fds...

a ouvir
a ver
a ler
a passear

quarta-feira, novembro 15, 2006

Ping-Pong

1. Os bispos portugueses contestam a legitimidade da Assembleia da República para legislar no que respeita à "liberalização ou descriminalização do aborto". Consideram que a sua prática constitui sempre um crime e, por isso, não reconhecem ao Estado competência para criar leis sobre a matéria - que, aliás, estão em vigor, como a lei que permite o aborto em casos de violação, risco de vida da mãe e malformações do feto.
Diário de Notícias, Terça, 14 de Novembro de 2006

2. Teocracia é uma forma de governo onde o povo é controlado por um sacerdote ou líder religioso que governa, supostamente, segundo o desejo de uma divindade. A teocracia pode ser também, Regime pólítico; Religião. O Estado com essa forma de Governo. Exemplos atuais de regimes desse tipo são o Vaticano, regido pela Igreja Católica e tendo como chefe-de-Estado um sacerdote (o Papa), e oIrão, que é controlado pelos Aiatolás, lideres religiosos islâmicos, desde a Revolução Islâmica em 1979.
wikipedia

3. Pela voz do arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, actual presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (cuja assembleia plenária ontem teve início em Fátima) a Igreja afirmou que "não pode reconhecer ao poder constituído, na sua vertente legislativa, competência para liberalizar ou descriminalizar o que, por sua natureza, é crime".

4. Ditadura é o regime político caracterizado oposto à democracia. Podem existir regimes ditatoriais de líder único (como os regimes provenientes do Nazismo, do Fascismo, e do socialismo real )ou coletivos (como os vários regimes militares que ocorreram na América Latina durante o século XX).
wikipedia

5. "Somos inequivocamente pela vida desde a concepção até à morte", disse D. Jorge Ortiga, reafirmando "a malícia intrínseca de todo o aborto provocado"

6. Anedota é uma história curta de final geralmente surpreendente e engraçado com o objetivo de causar risos ou gargalhadas (ou sensação de) no leitor ou ouvinte. É um tipo específico de humor que, apesar de diversos estilos, possui características que a diferenciam de outras formas de comédia.
wikipedia

terça-feira, outubro 24, 2006

B.S.O.

Débil Mental

É que eu não sou um débil mental,
Eu posso estar errado ou ter agido mal,
Mas pago o preço que eu tiver de pagar,
Se for pra tal eu sofro só.
Se não te agrada a forma de eu falar,
Acorda e vê que eu cago pró teu não gostar.
Se as minhas calças,
Parecem de um pijama,
Da próxima vez eu saio como entrei na cama.
Só me agrada ser quem quero,
Longe de uma falsa situação.

Masturbação,
Não fica só pela palma da mão.
E é tão mau,
Se a dita v.i.p. fala caro e faz pensar que eu sou vulgar.
Eu sou,
Só não aguento,
É que ela diga tanta prosa e seja só ar,
E nem o ar é puro!
Hipocrisia é mal que eu não suporto,
Pior até que o não pensar.
Mas a verdade é que eu não sofro pelo mal,
Mas pelo meu bem.

Diz meu mal ou leva-me à razão.
Quero andar por fora do que eu sou,
Deixar o tempo ver,
Do que é capaz.

Sobre o que gira à volta já falei,
Contudo há certas coisas em que eu não pensei,
Se o meu destino é negro ou claro,
Quem vai dizer nada muda em nada tudo o que eu pensei fazer.
O mundo não é nada,
Nada à minha beira,se tudo o que acredito já está preso à cadeira.
E tudo o que eu faço é pensado em mim,
No fundo eu sei que toda a gente acaba sendo assim.

Diz meu mal ou leva-me à razão.
Quero andar por fora do que eu sou,
Deixar o tempo ver,
Do que é capaz.

Não vejo nada contra o infalível,
Fala bem fala a minha língua,
Que eu não sou tu,
Homem de afetação,
Beija-me o cú,
Livra livra já não posso mais ouvir!
É tanta coisa fora do normal,
Procuras água no deserto.

Quem sabe até nos faz bem.
Eu sou mais eu sem nimguém.
A minha vida não tem nexo,
Dar-lhe um rumo é dar-lhe um fim.
Meu bem dói ou não,
Não eras tu contra a traição,
Quem evitou,Por fim o mal,
Não foi a pura mas o bébil mental!

Só me agrada ser quem quero,
Longe de uma falsa situação.

Só me agrada ser quem quero,
Longe de uma falsa situação.

(São) quem são e em nada são iguais,
Quem é mais?
Há que eu saiba um ponto igual em nós:
Sermos tão desiguais!

Ornatos Violeta

sexta-feira, outubro 13, 2006

Bom fim-de-semana

B.S.O.

Conversa de botequim
Noel Rosa

Seu garçom faça o favor
De me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um gardanapo
E um copo d'água bem gelada
Feche a porta da direita
Com muito cuidado
Que eu não estou disposto
A ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

E se você ficar limpando a mesa
Não me levanto e não pago a despesa
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro
Um envelope e um cartão

Seu garçom faça o favor
De me trazer depressa (...)

Não se esqueça de me dar palito
E um cigarro pra espantar mosquito
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste uma revista
Um cinzeiro e um isqueiro

Seu garçom faça o favor
De me trazer depressa (...)

Telefone ao menos uma vez
Para três quatro quatro três três três
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda chuva
Aqui pro nosso escritório

Seu garçom faça o favor
De me trazer depressa (...)

Seu garçom me empresta algum dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure esta despesa
No cabide ali em frente

Seu garçom faça o favor
De me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um gardanapo
E um copo d'água bem gelada
Feche a porta da direita
Com muito cuidado
Que eu não estou disposto
A ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

Couple Coffee no Onda Jazz, 12.10.06

Festas, muitas festas!

Não gosto nada de pessoas contentinhas. Se dependesse delas, a literatura já tinha desaparecido da face da terra. No entanto, as pessoas «normais» são muito apreciadas em todo o lado. Todos os assassinos são, para os seu vizinhos, tal como se vê sempre na televisão, pessoas satisfeitas e normais. As pessoas normais são cúmplices do mal de Montano da literatura. Pensei nisso hoje ao meio-dia, no táxi do Pico, enquanto me lembrava de uma frase que Zelda costumava dizer ao marido, Scott Fitzgerald: «Ninguém mais do que nós tem o direito de viver, e eles, os filho-da-puta, estão a destruir o nosso mundo.»
Odeio esta grande parte da humanidade «normal» que dia a dia destrói o meu mundo. Odeio as pessoas que são de uma grande bondade porque ninguém lhes deu a oportunidade de saber o que é o mal e poderem então escolher livremente o bem; pareceu-me sempre que esse tipo de gente bondosa é gente de uma maldade extraordinária em potência. Detesto-os, penso muitas vezes como Zelda e vejo-os como uns filhos-da-puta.

Enrique Vila-Matas, in O Mal de Montano

Lido aqui

sexta-feira, setembro 29, 2006

Catequeses (I)

Quando há pouco te ouvi conversar,
Foi um prisioneiro em quem o carcereiro pode confiar
A quem eu ouvi falar.

Mas os pontapés que vais evitando,
Não se perdem não e é o teu irmão quem os vai apanhar.
Desculpa estar-te a lembrar...

As coisas podem nunca parecer o que elas são
E é por isso que tu vais engolindo toda a droga que eles te dão
E se um dia fazes ondas de mais, tiram-te a ração...
A bem da nossa civilização.

Quando alguém tenta convencer-te
Que o dever é agir conforme o que ele decidir, ele não te está a ajudar.
Ele só te está a usar...

A confusão aumenta em teu redor
E não te deixa abrir, não te deixa sentir que só tu podes saber
O que tens a fazer.

As coisas podem nunca parecer o que elas são
E é por isso que tu vais engolindo toda a droga que eles te dão
E se um dia fazes ondas de mais, tiram-te a ração...
A bem da nossa civilização.

As coisas podem nunca parecer o que elas são
E é por isso que tu vais engolindo toda a droga que eles te dão
E se um dia fazes ondas de mais, tiram-te a ração...
A bem da nossa civilização.

Jorge Palma

Cada um faz (tem?) a sua. A minha tem sido feita com poemas como este.

quinta-feira, setembro 28, 2006

conTradições

Andamos todos muito perturbados com a auto-censura europeia motivada por um bando de fanáticos. O Vasco Graça Moura disse esta manhã que a Europa, enquanto civilização, está em risco. Concordo.

Acho é que já todos nos esquecemos de outras atitudes censórias recentes (apenas mais civilizadas) como esta, ou esta, ou ainda esta.

O que é que está em causa, o medo da bomba ou a falta de receio do purgatório? Será que não pretendem todos a mesma coisa? Será que a diferença não está nos meios à disposição?

Já agora, valia a pena pensar nisto...

terça-feira, setembro 26, 2006

B.S.O.

FIGURAS TRISTES

Pára! Porque insistes
em ouvir quem não te quer falar?
Pára de fazer figuras tristes!
Pára!, deixa em paz quem nunca se vai ver no teu lugar.
Que mania tu tens de nos pôr todos a pensar
como se nos preocupássemos uns com os outros!

Eu sei, é difícil resistir se nos sentimos sós,
mas sozinhos entendemos bem o que buscar.
No meio de tanta confusão
é natural tentar forçar quem não nos percebe
a gostar de nós
e a dizer-nos que o esforço vale a pena.

Eu cá vou bem, não me dói demasiado.
Só dava o que tenho pra ver alguém do meu lado.

O que ontem foi
hoje tu já não consegues mudar.
Porque continuas a tentar?
Dá-te gozo imaginar aquilo que seria teu
se tivesses feito o que não fizeste,
e o que serias se não fosses o que realmente és?

Eu cá vou bem, não me dói demasiado.
Só dava o que tenho pra ver alguém do meu lado.

Nuno Prata in Todos os dias fossem estes/outros

Eu? Já parei.

segunda-feira, setembro 25, 2006

qualquer dia também fundo uma

Adoro associações. A ver pelo nome, existem centenas a defender os meus interesses. Há a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, a Associação de Cépticos de Portugal e até a Associação Portuguesa do Veículo a Gás Natural. Todas elas desinteressadamente ao serviço do próximo, todas elas com um presidente democraticamente eleito, todas elas vitais para o nosso bem estar.

Gostei de saber que o presidente da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas exige a demissão do ministro da saúde. O que é um ministro ao pé de um presidente?

frustrado mas...

saudável. O meu é 20. E o teu?

sexta-feira, setembro 22, 2006

Monólogo de Um Cidadão Frustrado

Penso em voz alta
Até que ouço a mesma voz
Não fale comigo nesse tom
Quero lá saber
Eu quero é ganhar
Até que possa viver só
Sem ter que dar satisfações

Recordo o tempo
Em que a própria noite
Era o Pai Natal
Com o seu saco de prendas

Mais uma vez sonhei com uma mulher
Que me abria as portas
Do Palácio de César

Salta, manhã
São horas de andar
Café, depressa
De novo atrasado
Calma, está quase
Lá vem o patrão
Porra, já está
Aguentei outro dia

Mais um sorriso
Este tem que valer por dois
Em vez do grito que não dei
Faço o meu preço
Faço o leilão
Qualquer um pode concorrer
Mas ninguém será reembolsado, não

Dou uma vista de olhos no jornal
Dez mil contos por uma mansão
Com piscina
Vejo o relógio
Engolir o dia
E os preços a subir de novo
Em Novembro

Salta, manhã
São horas de andar
Café, depressa
De novo atrasado
Calma, está quase
Lá vem o patrão
Porra, já está
Aguentei outro dia

Anoiteceu
Acho que é tempo de pensar
Mas hoje estou tão fatigado
Outro cigarro, outra imperial
Agora já me sinto melhor
Se eu pudesse arranjar o Mundo

Falas em casas debaixo do chão
Para quando as radiações nos ameaçarem
Caio na cama
E fico a cismar
Será mesmo assim
Ou serei eu que estou louco?

Salta, manhã
São horas de andar
Café, depressa
De novo atrasado
Calma, está quase
Lá vem o patrão
Porra, já está
Aguentei outro dia
Porra, já está
Aguentei outro dia

Jorge Palma in Viagem na Palma da Mão