Mais um sorriso, Este tem que valer por dois, Em vez do grito que não dei

sexta-feira, setembro 29, 2006

Catequeses (I)

Quando há pouco te ouvi conversar,
Foi um prisioneiro em quem o carcereiro pode confiar
A quem eu ouvi falar.

Mas os pontapés que vais evitando,
Não se perdem não e é o teu irmão quem os vai apanhar.
Desculpa estar-te a lembrar...

As coisas podem nunca parecer o que elas são
E é por isso que tu vais engolindo toda a droga que eles te dão
E se um dia fazes ondas de mais, tiram-te a ração...
A bem da nossa civilização.

Quando alguém tenta convencer-te
Que o dever é agir conforme o que ele decidir, ele não te está a ajudar.
Ele só te está a usar...

A confusão aumenta em teu redor
E não te deixa abrir, não te deixa sentir que só tu podes saber
O que tens a fazer.

As coisas podem nunca parecer o que elas são
E é por isso que tu vais engolindo toda a droga que eles te dão
E se um dia fazes ondas de mais, tiram-te a ração...
A bem da nossa civilização.

As coisas podem nunca parecer o que elas são
E é por isso que tu vais engolindo toda a droga que eles te dão
E se um dia fazes ondas de mais, tiram-te a ração...
A bem da nossa civilização.

Jorge Palma

Cada um faz (tem?) a sua. A minha tem sido feita com poemas como este.

quinta-feira, setembro 28, 2006

conTradições

Andamos todos muito perturbados com a auto-censura europeia motivada por um bando de fanáticos. O Vasco Graça Moura disse esta manhã que a Europa, enquanto civilização, está em risco. Concordo.

Acho é que já todos nos esquecemos de outras atitudes censórias recentes (apenas mais civilizadas) como esta, ou esta, ou ainda esta.

O que é que está em causa, o medo da bomba ou a falta de receio do purgatório? Será que não pretendem todos a mesma coisa? Será que a diferença não está nos meios à disposição?

Já agora, valia a pena pensar nisto...

terça-feira, setembro 26, 2006

B.S.O.

FIGURAS TRISTES

Pára! Porque insistes
em ouvir quem não te quer falar?
Pára de fazer figuras tristes!
Pára!, deixa em paz quem nunca se vai ver no teu lugar.
Que mania tu tens de nos pôr todos a pensar
como se nos preocupássemos uns com os outros!

Eu sei, é difícil resistir se nos sentimos sós,
mas sozinhos entendemos bem o que buscar.
No meio de tanta confusão
é natural tentar forçar quem não nos percebe
a gostar de nós
e a dizer-nos que o esforço vale a pena.

Eu cá vou bem, não me dói demasiado.
Só dava o que tenho pra ver alguém do meu lado.

O que ontem foi
hoje tu já não consegues mudar.
Porque continuas a tentar?
Dá-te gozo imaginar aquilo que seria teu
se tivesses feito o que não fizeste,
e o que serias se não fosses o que realmente és?

Eu cá vou bem, não me dói demasiado.
Só dava o que tenho pra ver alguém do meu lado.

Nuno Prata in Todos os dias fossem estes/outros

Eu? Já parei.

segunda-feira, setembro 25, 2006

qualquer dia também fundo uma

Adoro associações. A ver pelo nome, existem centenas a defender os meus interesses. Há a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, a Associação de Cépticos de Portugal e até a Associação Portuguesa do Veículo a Gás Natural. Todas elas desinteressadamente ao serviço do próximo, todas elas com um presidente democraticamente eleito, todas elas vitais para o nosso bem estar.

Gostei de saber que o presidente da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas exige a demissão do ministro da saúde. O que é um ministro ao pé de um presidente?

frustrado mas...

saudável. O meu é 20. E o teu?

sexta-feira, setembro 22, 2006

Monólogo de Um Cidadão Frustrado

Penso em voz alta
Até que ouço a mesma voz
Não fale comigo nesse tom
Quero lá saber
Eu quero é ganhar
Até que possa viver só
Sem ter que dar satisfações

Recordo o tempo
Em que a própria noite
Era o Pai Natal
Com o seu saco de prendas

Mais uma vez sonhei com uma mulher
Que me abria as portas
Do Palácio de César

Salta, manhã
São horas de andar
Café, depressa
De novo atrasado
Calma, está quase
Lá vem o patrão
Porra, já está
Aguentei outro dia

Mais um sorriso
Este tem que valer por dois
Em vez do grito que não dei
Faço o meu preço
Faço o leilão
Qualquer um pode concorrer
Mas ninguém será reembolsado, não

Dou uma vista de olhos no jornal
Dez mil contos por uma mansão
Com piscina
Vejo o relógio
Engolir o dia
E os preços a subir de novo
Em Novembro

Salta, manhã
São horas de andar
Café, depressa
De novo atrasado
Calma, está quase
Lá vem o patrão
Porra, já está
Aguentei outro dia

Anoiteceu
Acho que é tempo de pensar
Mas hoje estou tão fatigado
Outro cigarro, outra imperial
Agora já me sinto melhor
Se eu pudesse arranjar o Mundo

Falas em casas debaixo do chão
Para quando as radiações nos ameaçarem
Caio na cama
E fico a cismar
Será mesmo assim
Ou serei eu que estou louco?

Salta, manhã
São horas de andar
Café, depressa
De novo atrasado
Calma, está quase
Lá vem o patrão
Porra, já está
Aguentei outro dia
Porra, já está
Aguentei outro dia

Jorge Palma in Viagem na Palma da Mão