Esta história do Saramago lembra-me um post do maradona que aqui reproduzi.
O iluminado Sousa Lara - esse génio incompreendido - afirma: "Este senhor atingiu, não se percebe muito bem porquê, um patamar de impunidade que a humanidade concede, tipo Berlusconi. Há umas pessoas que podem dizer tudo, que podem fazer as coisas mais absurdas e as pessoas habituam-se a isso e não levam a mal. Só tenho pena que não enxovalhe, da mesma forma que enxovalhe o património católico, por exemplo os muçulmanos, porque esses não perdoam e vergam-lhes pela pele. Aí é mais difícil insistir muito numa gracinha reiterada contra a religião muçulmana. Calculo que depois não lhe corra bem o futuro depois".
Cá está a demonstração daquilo que eu acho. Um ilustre católico como Sousa Lara (que é, por definição, um homem que perdoa) deseja que o Saramago se vá meter com os muçulmanos para que estes lhe mostrem o que é bom para a tosse. No fundo o que Sousa Lara, entre muitos outros, deseja é que haja alguém que trate da saúde ao Saramago porque ele - como bom católico - perdoa e não pode. Coerente, no mínimo.
Tem piada que para estas insólitas criaturas o "respeito" se sobreponha à liberdade de expressão. O que, tendo em conta as cabeças das mesmas, não é de admirar. E tem ainda mais piada que este respeito funcione apenas num sentido: só quem nunca foi a uma missa é que não ouviu os mais variados impropérios dirigidos a todos os que não acreditam na "Verdade".
Aqui pouco interessa o que Saramago diz ou deixa de dizer - ainda que tenha absoluta razão. Interessa, mais uma vez, verificar o óbvio. Esta gente não sabe viver com a opinião dos outros. Falta-lhes uma fogueira onde possam meter os que pensam de maneira diferente.
Mais um sorriso, Este tem que valer por dois, Em vez do grito que não dei